Dallagnol acusa campanha de Lula de tentar "golpe" em quebra de sigilo
Ex-procurador declarou que documento inicial omitia dados do Instituto Lula e de empresário; texto final foi modificado pela oposição e assinado conjuntamente.
O ex-procurador e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) acusou publicamente a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar dar um "golpe" no acordo firmado para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico das duas candidaturas presidenciais.
Segundo declarações publicadas por Dallagnol nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, a equipe jurídica petista tentou apresentar um documento com restrições que omitia dados cruciais, o que ele classificou como uma "pegadinha".
De acordo com o relato do ex-membro da Operação Lava Jato, os advogados de Lula tentaram aprovar um texto para "renovar compromissos de transparência" que deixava de fora do escopo do monitoramento informações relativas ao Instituto Lula e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Dallagnol, que foi escalado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) especificamente para auditar a integridade de todos os documentos fiscais apresentados, informou que a manobra foi interceptada a tempo. A assessoria jurídica de Flávio realizou anotações manuais diretamente na petição, exigindo que o levantamento do sigilo fosse integral, irrestrito e simultâneo. Diante da contestação por escrito, os advogados de Lula recuaram e assinaram a versão modificada.
A disputa ocorre em meio à reta final do segundo turno das Eleições de 2026. Após o impasse, representantes de ambas as coligações protocolaram a petição conjunta revisada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevendo a abertura total de dados dos candidatos, de seus familiares e de empresas associadas (incluindo a L.I.L.S.). O processo agora aguarda a homologação do ministro do STF e relator do caso na Corte Eleitoral, André Mendonça, para que o conteúdo seja integralmente liberado ao público.