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Os antagonistas do governo Caiado

Mudar um Lei estadual para beneficiar um apaniguado político, esse é o predicado que contagiou a Assembleia Legislativa de Goiás e decepcionou o governador Caiado. Ele não nos avisou sobre a indicação do vice em sua chama nestas eleições, então nós também não avisamos que mudaríamos os rumos do processo eleitoral a partir da desassistência do atual presidente da Assembleia Lissauer Vieira de disputar uma cadeira na Câmara Federal. Lissauer era tido como um puxador de votos e com a decisão de não sair candidato desmantelou boa parte da estrutura do governo Caiado. Juntando as forças com o atual vice-governador Lincoln Tejota, e um político de carreira Valcenor Brás que está afim de angariar direitos de complementação salarial, forçou a mudança de uma Lei no estado com o objetivo apenas de defender o seu interesse de se aposentar com salário integral, mas pode isso? Poder não pode não, mas vai acontecer, legalmente porém imoralmente. Quem fazem as leis são os deputados, então para legislar em causa própria não falta elenco no parlamento. O jornal o Popular publicou matéria sobre a história que surpreendeu o governador Ronaldo Caiado e deixou o palácio em alerta amarelo.

Acerto entre Lissauer Vieira e família Tejota não passou pelo governador e é visto como “revanche” dos aliados ainda insatisfeitos com a escolha de Daniel Vilela para vaga de vice

Com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) alijado da articulação de trocas nos Tribunais de Contas do Estado (TCE-GO) e dos Municípios (TCM-GO), o Palácio das Esmeraldas acendeu a luz amarela com as perdas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e na disputa eleitoral deste ano. A notícia da desistência da candidatura a deputado federal do presidente da Alego, Lissauer Vieira (sem partido), também caiu como uma bomba no PSD, que contava com ele como puxador de votos na chapa.
O acerto entre Lissauer e a família Tejota, mostrado ontem pelo POPULAR, não passou pelo governador e é visto no meio político como uma “revanche” dos aliados que ficaram insatisfeitos no ano passado com a decisão de Caiado de colocar o presidente do MDB goiano, Daniel Vilela, na vaga de vice em sua chapa.
Com a dança das cadeiras, Caiado perde os dois principais articuladores políticos na Alego – Lissauer e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Humberto Aidar, que vai para o TCM -, e passa a ter dois nomes que não são de sua confiança no comando da Casa e da CCJ. Henrique Arantes (MDB), atual vice da Alego, será o presidente e o novo “vice-governador”, já que passa a ser o segundo na linha sucessória do governo. Já a CCJ será presidida pelo Dr. Antônio Moraes (UB), que também já teve desentendimentos com o Palácio.
O vice-governador Lincoln Tejota (Cidadania) e o pai, o conselheiro do TCE-GO Sebastião Tejota, acertaram com Lissauer o acordo em que o presidente da Alego assumirá cadeira no tribunal. Tejota pai será candidato a deputado estadual herdando as bases de Lissauer e Lincoln ganha vaga no TCM-GO, no lugar de Valcenor Braz, que vai antecipar a aposentadoria após acerto para a Alego mudar lei que permitirá a ele proventos integrais.
Até a manhã de terça-feira (8), Caiado ainda comentava com aliados que desconhecia e não acreditava na articulação de Lissauer. Considerava que ele teria comunicado a decisão e o arranjo com a família Tejota.
O presidente da Alego comentou com interlocutores que também não havia sido consultado quando o governador decidiu colocar Daniel de vice, o que reforça o tom de retaliação.
Com a repercussão do caso, o presidente da Alego decidiu antecipar a votação em plenário da indicação de Aidar para o TCM-GO. Conforme mostrou O POPULAR, a nomeação foi aprovada na CCJ na terça-feira, mas só seria concluída na próxima semana, com planos de Aidar de só ir para o tribunal no fim do mês.
Isso porque há pelo menos dois projetos de interesse do governo na CCJ e havia acerto de que o presidente comandaria as votações. No entanto, diante de possíveis reações, a estratégia é antecipar a saída de Aidar. A previsão é de apreciação na tarde desta quinta-feira (10).
O POPULAR mostrou ontem que a intenção do comando da Alego é que os projetos de indicações de Lissauer para o TCE e de Lincoln para o TCM sejam apresentados de forma conjunta na Alego, possivelmente na última semana de março. Antes disso, tem de haver a votação da mudança na lei que favorece Valcenor Braz.
O projeto, apresentado por Aidar, altera o Regime de Previdência Social do Estado de Goiás, inclui cargos comissionados no cálculo para fixação de data de ingresso no serviço público. A lei atual prevê exercício público “sem interrupção, de sucessivos cargos de provimento efetivo ou vitalício” em qualquer órgão público. O projeto proposto por Aidar inclui “cargo (em geral) ou mandato vitalício ou cargo comissionado”.
Com a alteração valeria para contar o tempo em que Valcenor teve cargos comissionados em Luziânia (Entorno do Distrito Federal), antes de ser prefeito do município (1997-2000). Pela lei atual, restariam 4 anos para ele se aposentar integralmente e só poderia receber 85%.
PSD
No PSD, a direção do partido admite o “forte impacto” da decisão de Lissauer, mas garante que haverá chapa para deputado federal. O presidente da Alego era o principal puxador de votos, seguido pelo deputado federal Francisco Jr. (PSD).
“Vida que segue. Temos tempo para um rearranjo, uma rearticulação da chapa e vamos fechá-la, com toda certeza”, afirmou o presidente estadual da sigla, Vilmar Rocha.
As lideranças do partido afirmam que, se por um lado, há perda do principal nome da chapa, que levaria outros pré-candidatos para reforçá-la, de outro, a legenda passa a ser mais atrativa para “candidatos médios”, que não se interessavam pela concorrência com Lissauer e Francisco.
Tanto Francisco como a vereadora Sabrina Garcêz, que é pré-candidata a deputado federal pelo partido, afirmam que há o desafio de garantir a chapa até o fim do mês e que a permanência na sigla é “questão de matemática”.
Dirigentes de outros partidos comentaram considerar improvável que o PSD consiga lançar chapa.
O partido já vinha sofrendo o risco de enfraquecimento com a incerteza da candidatura do secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, ao Senado. Meirelles virá a Goiás nesta quinta-feira (10) e já marcou reuniões com os correligionários.
Os pessedistas cobram que ele tome a decisão de forma antecipada, para evitar a falta de tempo para a reorganização até o prazo final da janela partidária, em 1º de abril. A possível saída de Meirelles impacta ainda mais na formação de chapa, pelo apoio financeiro aos candidatos nas eleições proporcionais e reforço do partido com uma candidatura majoritária.

Fabiana Pulcineli

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