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“O povo se cansou dessa história de nome novo, mas com ideias velhas”, diz Marconi Perillo

Tucano fala sobre o cenário político em Goiás e no Brasil, minimiza a rejeição a seu nome e considera que a população começa a fazer comparações de governos

Com o fôlego dado pela pesquisa Serpes contratada pela Acieg, em que aparece na segunda posição na disputa ao governo do Estado e em primeiro para o Senado, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) diz que o cenário para a oposição é positivo e que o eleitorado volta a buscar nomes com experiência e resultados apresentados. “O povo se cansou dessa história de nome novo, mas com ideias velhas e sem nada de concreto a apresentar”, diz.
Depois de ser hospitalizado na semana passada por alta da frequência cardíaca, Marconi retomou as articulações políticas e falou ao POPULAR sobre a pesquisa e o cenário em Goiás e no Brasil. Ele minimiza a rejeição a seu nome e considera que a população começa a fazer comparações de governos.
Para o tucano, 2022 será de retomada do “campo normal da política”, em contraponto ao movimento antipolítica das eleições de 2018. “Todo aquele falso moralismo, projetos mirabolantes, propostas mentirosas, não exequíveis, aquela pauta de costumes, aquele processo que expôs uma série de novatos que não tinham qualquer experiência, que não tinham condições de governar, acabou se revelando uma frustração para muita gente”, afirma.
Sobre o resultado da pesquisa Serpes/Acieg, que o coloca em segundo lugar na disputa ao governo e em primeiro para o Senado, há quem tenha considerado surpresa, mas também há quem ache natural pelo fato de ter tido quatro mandatos de governador e um de senador. Que avaliação faz dos resultados?
Em primeiro lugar, há um legado de muito trabalho, de realizações, com muito foco no desenvolvimento do Estado, com programas de inclusão social, geração de empregos com a industrialização e modernização, avanços na infraestrutura, saneamento, moradia, estradas. Há um legado de desempenho em vários indicadores, na educação, saúde, crescimento do PIB, de exportações. Por outro lado, o governador do Estado e outros atores fizeram grande esforço para a desconstrução dessa história, dessa biografia, desse legado. Tentaram passar para a opinião pública uma farsa em relação a mim e ao meu governo. Eu acho que, com o passar dos anos, essa narrativa se desqualifica porque as pessoas percebem que não sou o que o governo tentou propagar aos quatro cantos do Estado. Tanto do ponto de vista judicial como pela falta de provas, já estou há quase quatro anos fora do governo e toda aquela sujeira que tentaram plantar em mim vai caindo por terra. Por fim, a própria comparação entre os meus governos e o atual. Era natural que houvesse naquela época (2018) certa fadiga de material, certo cansaço em relação ao meu nome, já que durante muitos anos eu liderei a política no Estado. Era natural a alternância de poder. Mas houve propaganda fake, falsas promessas, e isso tudo não foi cumprido. Agora muitos eleitores começam a acordar para a realidade. Ao comparar, percebem que o saldo dos nossos governos foi muito positivo, muitas vezes mais significativo. Fico feliz ao perceber que parcela importante da população reconhece nosso esforço, trabalho, dedicação e legado.
E o que acha da rejeição ao seu nome de 25%?
Acho que, pelo trabalho que fizemos, não deveria haver essa rejeição. Mas, pelo tamanho dos desgastes que tentaram imprimir em mim, por toda a narrativa criada, não é muito. Foi um imenso bombardeio de mentiras, fakes, e descabida e arbitrária perseguição. Se houver comparação com a ocasião da busca e apreensão, com todos aqueles episódios, a rejeição hoje é um dado extremamente positivo. Depois de tudo que aconteceu, é um dado muito positivo, na minha opinião.
E qual é o cenário mais provável, candidatura ao governo ou ao Senado?
Já vi pesquisas internas até melhores do ponto de vista de desempenho para a oposição e piores para o governo, mas eu não tenho projeto pessoal nem qualquer tipo de vaidade ou estresse para voltar a exercer algum cargo. Projeto tem de ser coletivo. Colocarei meu nome à disposição se perceber que há uma vontade política e, principalmente, social, do eleitorado, da população, para que eu possa contribuir com o Estado. Isso vai ser aferido em pesquisas qualitativas e quantitativas.
E quando será a decisão?
Por volta de abril, maio.
O que achou do resultado para o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que vinha sendo apontado como o principal nome da oposição?
Acho que foi um resultado bom para ele porque o Gustavo é mais conhecido em Aparecida, onde teve um ótimo desempenho nas última eleições, mas começou agora a ser conhecido no Estado. Ele já andou um pouco, quando pôde, mas ainda não é uma pessoa conhecida fora da Região Metropolitana. Acho que é um desempenho bom e, no conjunto da oposição, nos coloca em situação boa para o enfrentamento de outubro.
Há alguma chance de acerto com Gustavo para o primeiro turno ou isso está descartado?
Olha, vai depender dos próximos movimentos e próximas pesquisas. Eu tenho uma relação muito cordial com ele, que começou quando eu era governador, ele presidente da Câmara e depois prefeito. Sempre nos respeitamos. Vamos ver os próximos passos.
E o que achou do resultado para a Presidência da República. Já se falava nos bastidores que Lula havia passado Bolsonaro, mas não com tamanha diferença, de mais de 12 pontos. O que achou?
É um resultado surpreendente, já que Goiás é um Estado mais conservador e as pesquisas de que eu tinha conhecimento de fato davam um certo empate. Mas acho que este resultado tem muito a ver com o próprio desempenho nacional do candidato do PT.
Acha que a influência da disputa presidencial será maior nos Estados este ano? Já vimos um certo peso aqui para a definição do partido de Gustavo Mendanha e um distanciamento do governador Ronaldo Caiado de Bolsonaro. Qual será este peso?
Dois pontos são importantes para reflexão. Primeiro é que a economia é muito importante para um bom ou mau desempenho de um governante em nível federal. Se você pegar a história do Brasil, vamos considerar só a história republicana, observa-se que todas as vezes que o presidente se deu bem do ponto de vista econômico, com inflação controlada, política de juros e câmbio adequados, o governo vai bem na popularidade. Todas as vezes em que a economia vai mal, o presidente também fica mal. Segundo, por mais que haja características locais e regionais próprias, há, sim, uma certa influência da eleição presidencial em relação às estaduais.
O pré-candidato do PSDB, João Doria, tem 0,9% na pesquisa. E essa influência?
Vamos trabalhar para que ele melhore. Vejo no Doria características positivas: ele não é acusado em qualquer processo de desvio no governo, não há qualquer mácula; ele teve um desempenho muito bom em relação às vacinas, com a produção e a imunização da população; também fez reformas importantes e está com muitos recursos para investimentos. Eu diria que ele é um bom governador. Agora, tem também problema de excesso de exposição de imagem. Isso acabou trazendo desgastes a ele. À medida em que enfrenta tanto a direita quanto a esquerda, ele acaba tendo esses polos em oposição ao projeto dele. Não é uma situação fácil, mas eu diria que é um candidato que a gente pode muito bem defender e buscar convencer as pessoas de que é um bom nome.
O ex-governador José Eliton voltou a defender, conforme mostrou o Giro, um diálogo do PSDB com o PT e até a formação de um campo progressista aqui no Estado. Isso tem crescido por conta dessa possibilidade de Gustavo Mendanha fazer palanque para o presidente Bolsonaro em Goiás? Ficará um vácuo na centro-esquerda?
Eu tenho profundo respeito pelo ex-governador José Eliton, é meu amigo, meu companheiro. Ele sempre manifestou essa posição e eu respeito. Mas a minha posição é continuar defendendo a candidatura do PSDB. Eu não acho que o José Eliton esteja pensando do ponto de vista apenas eleitoral. Ele é uma pessoa que tem convicções, é um idealista. Mas eu continuo trabalhando com a possibilidade de defender e ajudar a fazer com que o eleitorado perceba a importância de uma terceira via no País.
O que significa então a sua conversa com petistas? Sei que não confirma a conversa com Lula, mas há abertura para diálogo também com o PT. Por quê?
Eu defendo que no Brasil todos conversem com todos. Eu trabalho em uma empresa privada e converso permanentemente com setores do governo, de todos os governos. Quando governador, eu tive relação com prefeitos dos mais variados partidos e sempre com respeito profundo, tanto em Goiânia como no interior. Também me relacionei com quatro ex-presidentes da República, sempre de forma republicana e convergente em relação aos interesses do País e do Estado. Governei com FHC, Lula, Dilma e Temer. Eu me dei bem com todos eles. Eu pelo menos procurei, do ponto de vista institucional e de governo, buscar convergências para garantir a projeção e melhorias do Estado. Eu tive problemas na relação com Lula, já ao final do meu segundo governo, isso é de conhecimento de todos. Mas eu sempre procurei colocar o Estado de Goiás acima das questões políticas e ideológicas. Já estive com lideranças de todos os partidos, inclusive do PT, ocasionalmente. E eu abomino que qualquer tipo de conversa no campo democrático seja patrulhada por quem quer que seja. Acho que todos têm a liberdade de conversar com quem quiser, desde que dentro das quatro linhas da democracia.
Mas quem está patrulhando?
Patrulhamento quando eu falo que abomino é dentro do meu próprio partido. Não digo de outros partidos, é do meu próprio. Eu posso assegurar que, em hipótese alguma, eu estarei em palanque que não seja do PSDB.
Há um movimento de muitos atores políticos que estão se juntando e vão atuar na campanha eleitoral em favor da política tradicional, contra aquele movimento antipolítica de 2018, contra também excessos da Operação Lava Jato. O sr. pensa nisso como algo para ser colocado na campanha?
Eu acho que a política está voltando para o ritual normal, o campo normal, da racionalidade, das ideias, da ação programática. Acho que toda aquela questão fake em que se transformou a eleição de 2018, de falso moralismo, de projetos mirabolantes, propostas mentirosas, não exequíveis, aquela pauta de costumes, aquele processo que expôs uma série de novatos que não tinham qualquer experiência, que não tinham condições de governar, acabou se revelando uma frustração para muita gente. Percebo que a partir de 2020, o eleitorado já começou a optar por políticos, candidatos, que efetivamente tenham história, biografia, trabalho realizado, experiência, ideal. É isso que acho que acontecerá também agora. O povo se cansou dessa história de candidato novo, mas com ideias velhas e sem nada de concreto a apresentar; sem conteúdo, sem histórico, sem capacidade para realizar. Isso ficou claro em várias partes do Brasil e ficou claro também aqui em Goiás.

Por Fabiana Pulcineli

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