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Manipulação no futebol: Nomes de Dadá Belmonte e Sávio, ex-jogadores do Goiás, aparecem em conversas com apostadores

Dadá é citado pelo menos 10 vezes no documento do Ministério Público encaminhado à Justiça, enquanto Sávio teve o nome exposto por apostadores. O g1 não conseguiu localizar as defesas deles para que se posicionassem.

Os ex-jogadores do Goiás, Dadá Belmonte e Sávio, que hoje disputam a elite do futebol brasileiro, estão entre os atletas investigados pelo Ministério Público (MP) por manipular o resultado de jogos do Brasileirão de 2022. O nome de Dadá, que hoje defende as cores do América-MG, por exemplo, aparece pelo menos dez vezes no documento enviado à Justiça pelo órgão. Prints mostram conversas dos investigados sobre uma aposta envolvendo o atacante e o zagueiro do Santos, Eduardo Bauermann, que foi afastado por também participar do esquema.

“Dadá Belmonte e mais um, que eu não lembro, foi expulso e o Eduardo Bauermann não foi expulso, ele foi expulso depois que o juiz apitou o jogo. Não adianta nada “, afirmou um dos apostadores em conversas obtidas pela Globo Esporte.

Em nota, o Goiás disse que não irá se pronunciar no momento, já o time mineiro afirmou que não foi informado sobre o assunto e que irá realizar uma reunião com os jogadores investigados.

Conversa citam nome de Dadá – Goiás — Foto: Reprodução/Ministério Público

Em um print, o apostador expõe que o zagueiro do Santos não iria receber o pagamento porque não havia cumprido com o acordo e, por isso, a aposta não foi a vencedora. Ele também chegou a ser ameaçado.

“O barato vai ficar louco pra você”, afirmou o apostador se referindo a Bauermann, momentos antes de enviar um vídeo ao jogador onde mostra Dadá sendo expulso, como se quisesse mostrar como deveria ter sido feito.

O jogo em que o ex-verdão foi expulso ocorreu em 2022 durante a penúltima rodada do Brasileirão, quando o Goiás sofreu uma derrota para o Fluminense. Ainda nas conversas, os apostadores dizem que “Dadá já recebeu” e que “Dadá fez”.

O lateral Sávio, que jogou no Goiás até o fim de 2022, é outro nome presente na denúncia. Conversas encontradas pelo MP indicam que o jogador e o colega de Dadá no América Mineiro, Nino Paraíba, também tem envolvimento nos crimes. No diálogo, os investigados fazem um combinado.

“E o Nino, cês sabem que é fechamento, mil grau. Salvio não precisa nem falar, né?”, afirmam.

Momentos depois da conversa, um dos investigados mandou um print mostrando que Sávio havia recebido um cartão amarelo por retardar um escanteio lateral e que estaria de fora da próxima partida.

Réus

Justiça tornou réus 16 pessoas envolvidas na manipulação de resultados de 13 partidas de futebol, sendo oito do Campeonato Brasileiro da Série A de 2022, um da Série B de 2022 e quatro de campeonatos estaduais realizados em 2023. Dadá e Sávio não estão entre os réus. No documento oferecido pelo Ministério Público (MP), o órgão relata 23 fatos criminosos ocorridos durante as partidas, nas quais jogadores se comprometeram a cometer faltas para receber cartões e a cometer pênaltis.

quadrilha visava apostar nos resultados e eventos induzidos e, desta forma, obter elevados ganhos. A denúncia traz, em mais de 100 páginas, prints de conversas e transcrições de áudios entre os denunciados.

“Trata-se de atuação especializada visando ao aliciamento e cooptação de atletas profissionais para, mediante contraprestação financeira, assegurar a prática de determinados eventos em partidas oficiais de futebol e, com isso, garantir o êxito em elevadas apostas esportivas feitas pelo grupo criminoso em casas do ramo. O grupo se vale, ainda, de inúmeras contas de terceiros para aumentar seus lucros, ocultar reais beneficiários e registrar a atuação de intermediários para identificar, fornecer e realizar contatos com jogadores dispostos a praticar as corrupções”, diz trecho do documento.

Parte dos jogos e dos elementos da denúncia foram acrescentados na investigação durante a fase de análise de provas colhidas e de depoimentos dos denunciados e de testemunhas. Eles são referentes às partidas entre Juventude x Fortaleza e Ceará x Cuiabá.

Ao todo, tornaram-se réus:

  • Bruno Lopez de Moura (vulgo BL);
  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos;
  • Luís Felipe Rodrigues de Castro (vulgo LF);
  • Victor Yamasaki Fernandes (vulgo Vitinho);
  • Zildo Peixoto Neto;
  • Thiago Chambó Andrade;
  • Romário Hugo dos Santos (vulgo Romarinho);
  • William de Oliveira Souza (vulgo Mclaren);
  • Eduardo Gabriel dos Santos Bauermann;
  • Gabriel Ferreira Neris (vulgo Gabriel Tota);
  • Victor Ramos Ferreira;
  • Igor Aquino da Silva (vulgo Igor Cárius);
  • Jonathan Doin (vulgo Paulo Miranda) ;
  • Pedro Gama dos Santos Júnior;
  • Fernando José da Cunha Neto;
  • Matheus Phillipe Coutinho Gomes.

Confira, em ordem cronológica, a lista das partidas nas quais o grupo atuou visando aplicar fraudes:

  • Palmeiras X Juventude (10.09.2022)
  • Juventude X Fortaleza (17.09.2022)
  • Goiás X Juventude (05.11.2022)
  • Ceará X Cuiabá (16.10.2022)
  • Sport X Operário (PR) (28.10.2022)
  • Red Bull Bragantino X América (MG) (05.11.2022)
  • Santos X Avaí (05.11.2022)
  • Botafogo X Santos (10.11.2022)
  • Palmeiras X Cuiabá (06.11.2022)
  • Red Bull Bragantino X Portuguesa (SP) (21.1.2023)
  • Guarani X Portuguesa (SP) (08.02.2023)
  • Bento Gonçalves X Novo Hamburgo (11.02.2023)
  • Caxias X São Luiz (RS) (12.02.2023)

Algumas partidas seguem em investigação em outro procedimento criminal, Luverdense x Operário de Várzea Grande (MT) e Goiás x Goiânia estão entre elas.

Operação do MP investiga fraude em resultado de jogos do Campeonato Brasileiro, em Goiás — Foto: MP/Divulgação
Operação do MP investiga fraude em resultado de jogos do Campeonato Brasileiro, em Goiás — Foto: MP/Divulgação

Dano moral coletivo

O MP requereu ainda que seja fixado o valor mínimo de R$ 2 milhões para reparar os danos morais coletivos causados pelos denunciados. O valor deverá ser atribuído a todos os réus, considerando-se os fatos elementos já colhidos ao longo da investigação, bem como aqueles que serão trazidos durante a instrução processual.

O parâmetro utilizado para a definição do valor refere-se a uma das expectativas de lucro do grupo criminoso com a utilização de dezenas de contas que foram empregadas nas apostas manipuladas descritas na denúncia.

Print mostra como funcionava apostas investigadas por fraudar resultados de jogos  — Foto: Divulgação/Ministério Público
Print mostra como funcionava apostas investigadas por fraudar resultados de jogos — Foto: Divulgação/Ministério Público

Por Pedro Moura e André Guimarães, g1 Goiás e ge

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