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Lissauer pode desistir das eleições e ter cadeira no TCE-GO

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Em articulação que começou semana passada, presidente da Alego propõe aposentadoria de Sebastião Tejota; Lincoln Tejota iria para o TCM-GO

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira (sem partido), pode ir para o Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), em acerto que começou a ser articulado pelo próprio deputado há uma semana. Até aqui pré-candidato a deputado federal, Lissauer assumiria o lugar do conselheiro Sebastião Tejota, pai do vice-governador Lincoln Tejota (Cidadania), no tribunal.
Pelo acordo, Sebastião disputaria cadeira de deputado estadual, herdando bases e estrutura de Lissauer, enquanto Lincoln iria para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO). Para isso ocorrer, mais um conselheiro teria de se aposentar, o que também começou a ser negociado com o ex-deputado Valcenor Braz.
Para concretizar a combinação, o deputado estadual Humberto Aidar (MDB), em despedida da Assembleia Legislativa para ser conselheiro do TCM-GO, apresentou na tarde desta terça-feira projeto de lei complementar que altera o Regime de Previdência Social do Estado de Goiás, com mudança em artigo que permite a aposentadoria integral para Valcenor.
É que os proventos integrais exigem 35 anos no serviço público. No artigo 70 da lei atual, fica estabelecido que o cálculo para fixação de data de ingresso no serviço público leva em conta, “sem interrupção, sucessivos cargos de provimento efetivo ou vitalício” em qualquer órgão público.
O projeto proposto por Aidar inclui “cargo (em geral) ou mandato vitalício ou cargo comissionado”. Com a alteração valeria para a conta o tempo em que Valcenor teve cargos comissionados em Luziânia (Entorno do Distrito Federal), antes de ser prefeito do município (até 2000).
A dança de cadeiras no TCE e no TCM chegou a ser cogitada ainda em conversas com Aidar, que teve sua indicação para a corte de Contas dos Municípios aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Alego nesta terça-feira. Ele ficaria na vaga de Sebastião Tejota e deixaria a cadeira no TCM – disponibilizada pela aposentadoria de Nilo Resende, em maio do ano passado – para Lincoln. O conselheiro do TCE-GO, no entanto, achou que Aidar tinha pouco a oferecer de bases.
Já a proposta de Lissauer foi bem recebida pela família Tejota, que esperava ser contemplada com um acordo desde que o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) escolheu o MDB para a vaga de vice das eleições deste ano, com o nome de Daniel Vilela, presidente estadual do partido.
Até a conversa com Lissauer, a previsão era de que Tejota pai continuaria no TCE-GO e Lincoln disputaria cadeira de deputado estadual. No entanto, ele tinha dificuldades com o confronto de bases com dois grandes aliados da família – o atual deputado Rubens Marques (Pros) e Luiz Sampaio (Cidadania), pré-candidato.
Nos bastidores entre deputados, há dúvidas sobre o arranjo articulado por Lissauer pelo tempo curto, considerando o prazo de desincompatibilização (2 de abril) e pela exigência de acertos com a Alego para a indicação de Lincoln. No entanto, o presidente já consultou os parlamentares e estaria certo da maioria.
A desistência do presidente da Alego de disputar cadeira de deputado federal estaria relacionada à perda de seu pai, no dia 21 de fevereiro. Ele terá de se dedicar às empresas da família e alega dificuldades em ficar boa parte da semana em Brasília. Nos bastidores, também há informação de expectativa de contar com o patrimônio da família na campanha.
À reportagem, Lissauer negou a articulação. Mas aliados próximos ao presidente e também à família Tejota confirmam as negociações.

(Foto: Fábio Lima / O Popular)
Fabiana Pulcineli

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