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Grupo na internet reúne mais de 900 pessoas que afirmam serem vítimas de pastor acusado de golpes, diz delegado

Religioso foi preso em 2018, em Goianésia, acusado de obter R$ 15 milhões aplicando golpes. Ele é réu em Goiás e foi denunciado também pelo Ministério Público de SP por estelionato.

Um grupo em um aplicativo de mensagens de celular reúne mais de 900 pessoas que afirmam serem vítimas do pastor Osório José Lopes, acusado de golpes em fiéis de Goianésia, no centro de Goiás, e demais pessoas de vários estados do país, segundo o delegado Marco Antônio Maia.

“Elas [vítimas] estão se reunindo para contar as histórias e ver o que é possível fazer”, comentou o delegado.

O investigador ponderou que até esta segunda-feira (14), mesmo após o surgimento de vítimas do suposto golpe do pastor em outros estados, como São Paulo, Acre e Mato Grosso, ele não foi procurado em Goianésia por novos moradores que podem ter sido vítimas de Osório Lopes.

Isso porque o pastor já foi preso e denunciado em 2018 por aplicar o mesmo golpe em Goiás, principalmente em Goianésia, que causou prejuízo de R$ 15 milhões.

A reportagem conversou nesta segunda-feira com um administrador do grupo “Vítimas das Operações”, que preferiu não se identificar. Ele contou que os administradores procuram ajudar as pessoas que dizem ter sido vítimas do golpe.

“Elas estão com um dano psicológico e emocional muito forte. Orientamos a registrar boletim de ocorrência. Não é só o dinheiro que elas perdem em algo que não vai acontecer, mas elas dão os dados pessoais, o que é ouro na mão de quadrilhas especializadas”, explicou.

O administrador contou que o grupo existe há cerca de três meses com esse intuito de orientação e que cresceu com a divulgação do caso. “Em um dia, o grupo, que é aberto, ganhou cerca de 300 novas pessoas”, comentou.

Golpe

Outro pastor foi preso junto com Osório Lopes em Goianésia, suspeito de ser parceiro no golpe. Conforme a polícia, a dupla alegava que havia ganhado um título de R$ 1 bilhão, mas precisava reunir fundos para conseguir recebê-lo.

Osório ficou preso por 30 dias e, segundo o delegado Marco Antônio, ele se mudou para São Paulo após sair da prisão, em 2018.

Um documento com o nome do pastor goiano Osório José Lopes mostra que ele chegou a prometer para uma vítima um retorno financeiro de R$ 2 quatrilhões.

Para um empresário de São Paulo, o pastor chegou a oferecer um retorno financeiro de R$ 2 quatrilhões — Foto: Reprodução/Fantástico

“Ele saiu de Goiás e tentou evitar vítimas aqui porque a polícia já investigava. Agora com as redes sociais, ele fez vítimas em todos os estados do país”, falou o delegado.

O Fantástico mostrou neste domingo (13) as histórias das vítimas do pastor que foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, na última sexta-feira (11), pelo crime de estelionato. Osório não quis gravar entrevista, mas publicou um vídeo na internet se posicionado.

“Não tenho vergonha de dizer que lá atrás eu fiz coisas erradas. Erradas porque não tive orientação jurídica. Estamos entrando com recursos para provar que somos inocentes. Eu nunca neguei que tenho as minhas dívidas e tenho os meus combinados, que não foram ainda cumpridos mas espera de ser cumpridos, muito breve”, falou o pastor.

Relato das vítimas

Em maio de 2018, Osório e outro pastor foram presos suspeitos de obter R$ 15 milhões aplicando golpes em fiéis de Goianésia. Entre as vítimas do religioso está o eletricista Paulo Estrela que, em 2014, iludido por cifras milionárias, chegou a entregar a única casa que tinha, avaliada em R$ 250 mil. Em troca, ele recebeu um cheque de R$ 2,5 milhões, que nunca conseguiu descontar.

Paulo Estrela é uma das vítimas do pastor em Goianésia, Goiás — Foto: Reprodução/Fantástico

“E aí ele falava que pagava na segunda, e entrava para segunda, pagava na terça, e pagava na quinta, e foi levando esse moído. Depois, nem atender telefone meu não atendeu. Eu passei sete anos que eu vou falar para o senhor. Eu não vivi sete anos, eu vegetei”, disse o eletricista.

Só no ano passado que Paulo conseguiu na Justiça a casa dele de volta. Agora, ele tenta receber do pastor o que gastou com aluguel nesses sete anos; quase R$ 80 mil.

Por Rafael Oliveira, g1 Goiás

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