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Jornal Diário Popular - Inércia no PMDB favorece Marconi no interior

18/10/2018 19:46

Inércia no PMDB favorece Marconi no interior

CATEGORIA: politica

Pelo menos dez prefeitos peemedebistas já teriam fechado apoio à reeleição do governador tucano de Goiás; dois deles declaradamente, o de Niquelândia, Luiz Teixeira (foto), e o de Porteirão, José Cunha; dissidências são atribuídas à falta de movimentação do pré-candidato Júnior Friboi, revela reportagem do jornal Tribuna do Planalto; nas últimas semanas, Marconi intensificou visitas a municípios controlados pelo PMDB e tem recebido elogios dos prefeitos: "Governador sabe fazer política”, admite peemedebista José Fernandes, de Vicen­tinópolis

19 de Maio de 2014

Fagner Pinho, da Tribuna do Planalto

Além das ações administrativas do governador Marconi Perillo (PSDB) pelo interior – que concomitantemente lhe dá vantagem eleitoral -, a base aliada do tucano está agindo para conquistar espaços adversários nos quatro cantos do Estado. A falta de movimentação do pré-candidato Júnior Friboi (PMDB) abre espaço político para governistas costurarem o apoio dos prefeitos oposicionistas, principalmente do PMDB, para a campanha de reeleição de Marconi. Prefeitos reclamam que estão perdidos com a briga interna entre Friboi e os correligionários do ex-governador Iris Rezende (PMDB) o que aumenta a chance de adesões.

Segundo o que apurou a reportagem da Tribuna, pelo menos dez prefeitos do PMDB já estão fechados para apoiar Marconi Perillo nas próximas eleições. Alguns, como o prefeito de Niquelândia, Luiz Teixeira, e o de Porteirão, José Cunha, já declararam apoio formal ao governador. Outros ainda não querem se comprometer, mas, nos bastidores, já possuem compromisso com a base aliada tucana. Este nomes são guardados a sete chaves, mas o discurso de muitos prefeitos em visitas recentes do governador a seus municípios indicam que Marconi está em alta com eles (veja as frases abaixo).

“São Luiz do Norte deve seu desenvolvimento às ações decisivas do governo do Estado de Goiás. Vibrei com a notícia de que o senhor viria ao nosso município, que traz boas novas ao nosso povo”, Jacob Ferreira (PMDB), prefeito de São Luiz do Norte

“Antes mesmo de eu ter assumido a prefeitura, o senhor me convidou para uma audiência e deixou as portas abertas. Agradeço por todas as obras já realizadas e por aquelas que começam a chegar”, Elvino Coelho Furtado (PMDB), prefeito de Mara Rosa

“O Marconi é um exemplo de administrador. Se todos os políticos fossem como o senhor, teríamos um Brasil muito melhor. Que Deus continue abençoando seus passos para que continue transformando o Estado”, José Fernandes (PMDB), prefeito de Vicentinópolis

“Governo não pode fazer oposição a governo.

Sem

essas parcerias, o município pequeno, como o nosso, não teria condições de realizar obras e atender os anseios da comunidade”, João Eustáquio, o Ziquinho (PMDB), prefeito de São Patrício

Este fato liga o sinal amarelo no PMDB. Enquanto que os grupo de Friboi e Iris disputam internamente a indicação para a cabeça de chapa do partido, Marconi Perillo vem atuando para corroer a base conquistada pelo partido nas eleições de 2012. Com a saída oficial de Iris Rezende da sucessão, há algumas semanas, Júnior do Friboi conseguiu caminho livre para trabalhar seu nome. O empresário, no entanto, quer a garantia de apoio do ex-governador. Enquanto não consegue, paralisou as atividades de pré-campanha aumentando o temor da militância do partido.

Assédio

Nas últimas semanas o governador intensificou visitas a municípios controlados pelo PMDB. Nesses municípios, Marconi mantém a política da boa vizinhança que vem mantendo em suas idas ao interior, onde não critica de forma alguma nenhum oposicionista, elogia os prefeitos peemedebistas, leva benefícios e se compromete com obras futuras sugeridas pelos prefeitos locais.

Com essa movimentação político-administrativa, o governador recebe elogios, muitas vezes rasgados e exagerados, de vários dos prefeitos peemedebistas ou mesmo conquista o apoio de alguns deles, como o de Luiz Teixeira e de José Cunha.

Muitos prefeitos, não somente do PMDB, mas também de outros partidos da oposição, também vêm a Goiânia em busca de intermédio de deputados para conseguirem audiências com Marconi Perillo. Muitos deles são vistos nos corredores da Assembleia Legislativa diariamente.

Além do apoio declarado, o governador vem colecionando elogios de prefeitos do PMDB. Muitos deles são motivados pelas obras que os administradores recebem em suas cidades e também pelo compromisso da chegada de mais benefícios em médio e longo prazo, claro, se o governador se mantiver no poder.

Expectativa de poder

Muito do apoio e dos elogios recebidos pelo governador se dá pela necessidade de manutenção de um bom relacionamento com o executivo estadual por parte dos prefeitos do interior. Boa parte dos prefeitos tem projetos políticos pela frente. Uns buscarão reeleição, outros tentarão fazer seus sucessores. A briga interna no partido diminui a perspectiva de vitória e faz com que os prefeitos do partido temam confronto com o governador.

A definição no PMDB pelo nome de Júnior Friboi também contribui para que muitos prefeitos revessem seu posicionamento. “Muitos deles estão insatisfeitos com os rumos que a política do PMDB vem tomando. Havia o compromisso com Iris Rezende por toda a sua história, mas não há compromisso algum com Júnior Friboi. E a forma com que foi conduzido o processo de implantação de sua pré-candidatura, desagradou muitos peemedebistas”, revelou um deputado da base governista que recebe muitos prefeitos.

Muitos aliados defendem que Marconi Perillo vem recebendo apoio de prefeitos oposicionistas não só por estar bem nas pesquisas, mas sim por estar atuando, visitando muitas prefeituras, buscando saber o que os prefeitos precisam para melhorar sua cidade. No vácuo de liderança peemedebista, Marconi age rápido para captar mais apoio político à sua campanha.

Isso tem trazido apoios ao tucano por parte de prefeitos que não o apoiariam em situações normais. “Os apoios são espontâneos. Não há uma procura do governador nem o pedido. O apoio vem naturalmente, já que não há o amparo por parte da legenda. A inércia do PMDB somada a saída de Iris beneficiou enormemente o governador, que agora recebe apoio de onde não receberia em outro cenário”, acrescentou uma fonte ligada à base governista, que confidenciou que o governador estaria conquistando apoios também em Turvelândia e em Mara Rosa. A reportagem tentou contato com os prefeitos dos dois municípios, mas eles não atenderam o telefone.

O deputado estadual Fábio de Sousa (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa, confirma que o governador vem ganhando muito espaço no interior por conta de obras e benefícios. “O governador tem conquistado muito apoio no interior por conta de seu trabalho”, defende.

Lívio: “Comprovado o apoio, punição deve ser implacável”

Suplente de deputado estadual e suplente da executiva do diretório regional do PMDB, Lívio Luciano (PMDB) minimiza o apoio de prefeitos do PMDB à base aliada estadual, mas defende que se houver apoio ao governador Marconi Perillo o partido tem que punir os envolvidos. “Insisto na tese de que cada caso deva ser analisado com muito cuidado. Agora, comprovado o apoio, creio que a punição por parte do diretório estadual deva ser implacável. A direção do partido tem que agir com força para punir esse tipo de atitude”, defende.

O parlamentar, porém, diz acreditar que muito do que se demonstra de apoio por parte de prefeitos peemedebistas a Marconi Perillo é uma “jogada” criada pela equipe do governador do Estado, em meio à entrega de benefícios que o tucano realiza no interior de Goiás.

Para ele, a tática utilizada pelo staff do governador é de se aproveitar de agradecimentos de prefeitos em apoio e que não acredita em utilização de máquina pública por parte do governador. “Há muita fumaça nisso. Muitas vezes pode haver uma jogada por parte da equipe do governador em transformar o agradecimento em um ato de apoio a ele. Contudo, não vejo o uso da máquina pública na busca por apoios em prefeituras do PMDB no interior”, avalia.

As informações de que prefeitos peemedebistas poderiam não apoiar a legenda nas eleições deste ano não são certas, de acordo com o deputado. “O que temos visto são notícias na imprensa. Pouco ainda se confirmou. Quando questionados, muitos prefeitos dizem que não é bem assim, que não foram bem interpretados. Por isso, temos que ter muito cuidado no trato em cima desses fatos”, disse.

Para ele é normal quando há a parceria administrativa, que o governo leve o benefício para a cidade e receba, na figura do governador, o agradecimento do gestor municipal. O problema ocorre quando se entra no campo político e se insinua, dentro dos elogios, o apoio. “Isso fere as normas partidárias e ele fica sujeito ao conselho de ética”, alerta o peemedebista. A reportagem tentou contato com o presidente regional do PMDB Samuel Belchior, mas ele não foi encontrado.

Prefeito de Vicentinópolis admite: “Governador sabe fazer política”

O prefeito de Vicen­tinópolis, José Fernandes (PMDB), demonstrou em palavras o que muitos prefeitos peemedebistas do interior vêm demonstrando em atos: a indefinição e a inércia dentro do partido vêm incomodando e preocupando os gestores do interior, que ficam sem perspectiva e, muitas vezes, sem saber que rumo tomar.

Para ele, o partido, como o principal da aliança, teria que dar o exemplo. “O prefeito peemedebista do interior está perdido. Quando me ligaram, há algum tempo, perguntando se eu achava importante a aliança com o PT, eu disse que sim, mas que mais importante ainda era arrumar a nossa própria casa. Nós temos que dar o exemplo como o maior partido e isso tem que vir de casa o que até hoje não ocorreu”, diz.

Com indefinições dentro do partido, José Fernandes explica que começam a aparecer dificuldades para o gestor, principalmente o do interior. “Temos que ter a tranquilidade política para trabalhar em eleições e só conseguiremos alcançar a tranquilidade no PMDB com muita humildade. Mas com essas dificuldades dentro do partido, sinto que muitos colegas estão desgostosos com a situação e nós, como gestores, temos que pensar longe, nos benefícios para nossas cidades”, frisa.

E é exatamente a busca pelo benefício que justifica o bom relacionamento com o governador, por meio de elogios. Segundo o prefeito, os administradores não trabalham para “meia banda”, mas sim para toda a população, sem distinção. E é exatamente isso que o Marconi Perillo vem fazendo, segundo ele.

“Temos que reconhecer que o governador é um homem inteligente. Ele sabe fazer política. Foi a várias cidades e atendeu as necessidades de muitos prefeitos, seja da base ou da oposição, com muito dinamismo. Creio que esse trabalho seja administrativo, não tendo nada a ver com a conotação política”, avalia.

O experiente prefeito, que voltou a governar Vicenti­nópolis nas eleições de 2012, explicou que não é de briga política com adversários. “Não sou de malhar as pessoas. Nunca fui. Não consigo criticar certa pessoa apenas por ser meu adversário político ou por ser de outro partido. Isso dá margem a especulações. Meus colegas sempre me dizem que administrativamente sou excelente, mas que politicamente deixo a desejar, pois não faço distinção dos que me procuram”, finaliza.

 

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